Será que os pastéis de feira são os melhores?

23/05/2010 às 21:47 | Publicado em Propagandísticos | 1 Comentário

Olá, pessoal!

No convívio entre publicitários, rolam muitas histórias, “causos”, situações inusitadas e situações frequentes. Conversando sobre isso há pouco tempo com um grande amigo e aluno de guitarra meu, que por sinal é um cara muito inteligente e talentoso, revivemos um “conto” escrito pelo mesmo há alguns anos. Como achei o cenário interessante e provavelmente conhecido por muitos de vocês, resolvi compartilhar. Que conte a primeira mentira aquelas que nunca viveram “algumas vezes” momentos como este, vai?  😉

Pastelaria digital

Na sala de web, Aroldo entra e diz:
– Me vê um “hotsitezinho” para hoje por favor.

Quem trabalhava parou, os que ainda não tinham acordado estalaram os olhos. No primeiro momento todos pensam: “Isso aqui está parecendo uma pastelaria”. Mas alguém, do fundo da sala pergunta:
– Por que uma pastelaria?
– A maioria pensa que produzir peças para a internet é tão rápido quanto o próprio meio. Que divulga, informa, mente e influência, tudo ao mesmo tempo. Quase em tempo real! – respondeu o ponta esquerda da bancada.

E começa a correria! Enquanto um pega o breafing o outro corre atrás do logotipo. Vem a reunião, todos buscando o melhor para o projeto e questionando o próprio trabalho. Qual valor é dado para o meu trabalho? Quem tem culpa por esse pensamento imediatista? Quem disse que é fácil assim?

Talvez o espaço para Web Designers e Web Masters caseiros, que demoram 30 minutos para colar os pedaços do que viram por aí e julgaram legal, tenha contribuído para isso. Sem saber o que é um breafing e sem estudo de marca algum, montam um verdadeiro Frankstein amador, sem pé, sem cabeça, sem conteúdo. É como uma linha de produção, como quem frita um pastel. E a equipe de Designers e Programadores formados em Publicidade, Desenho Industrial e Ciências da Computação, continua a discutir o rumo a ser tomado. Mantendo a identidade do cliente desenvolvem um layout totalmente funcional visando o target, divulgando o produto, enchendo os olhos dos internautas. O resultado do trabalho rouba a atenção e se sobressae diante dos outros, e mesmo assim é valorizado como uma colagem de idéias sem valor.

Após decidir o caminho a ser seguido a equipe se concentra, divide o trabalho e se esforça ao máximo para cumprir o prazo, para garantir o emprego, para mostrar que realmente é boa. É uma luta pra entregar o pedido de maneira profissional, muitas vezes num tempo curtíssimo. Com o projeto praticamente pronto, um redator se junta a equipe, revisa todos os textos, corrige, muda, reescreve. E lá está. Um layout lindo, um sistema de navegação funcional, com a parte editorial perfeita. Está pronta mais uma prova de que a internet é mesmo o meio de comunicação mais rápido que temos. Será?

Com prazos cada vez mais curtos, não nos dão tempo de pensar. Mesmo quando o pensamento é rápido não temos tempo para desenvolver essa idéia nova. Designers com anos de experiência e com centenas de projetos no portfólio buscam idéias ou referências em projetos já realizados. Recortam dali, daqui e desenvolvem suas colagens profissionais.

Como mudar isso? Como mudar essa imagem de “Fazemos tudo para hoje”? Como sair desse ciclo? No meio de todas estas dúvidas, uma voz do meio da bancada grita.

– Saindo mais um “hotsitezinho” quentinho!

Texto: Rodrigo Nappi
Edição (de leve, heheh): André Mansano

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1 Comentário »

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  1. Parece que o Tio Sam tinha razão, “Time is money”, e apesar dos nossos segundos dourados valerem mais do que dinheiro (parafraseando Silvio Santos), a velocidade está ligada a facilidade e não a expertise, logo, ganhamos menos para fazer mais.

    Menos dinheiro, menos saúde, menos experiência… e não me apareça com a Zíbia Gaspareto dizendo que “menos é mais”, estamos as portas do fim de uma era, é o apocalipse da arte digital. Culpa dos copos descartáveis e dos FastFoods, afinal, se você pedir sem pícles ele vem igual ao do vizinho, mas com uma etiquetinha escrito: Especial pra você… e pra falar a verdade, é o que dá tempo de fazer… mas pra falar bem mais do que a verdade, é o quanto vale o orçamento que geralmente é fechado.


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